Diz uma feminista: “Não é que estuprador também é vítima. Ele é o estuprador”.
Vamos agora à visão sistêmica que pode ser testada pelas constelações: estuprador e estuprada são ambos vítimas e perpetradores.
Vítimas de uma sociedade cujo patriarcado foi um meio de dominação política tornando os homens agressores e as mulheres submissas, assim nunca conseguiriam ver o poder que têm juntos na união dos princípios masculino e feminino geradores de tudo que existe. Ambos são dominados por este poder ignorante e perverso.
Perpetradores porque o homem usou a mulher na fidelidade aos seus ancestrais agressores, fazendo como eles, danos. E se castigado, compensando os danos no lugar deles.
E a mulher vitimizada usou o homem na fidelidade às mulheres vitimizadas e sem voz do seu sistema familiar, mulheres que matavam os filhos destes estupros que, muitas vezes, ocorriam até dentro do casamento.
Um filho do estupro traz no seu corpo a união dos ancestrais estupradores do passado e das mulheres vitimizadas.
Poderá ser igual a um ou outro ou a ambos e viver buscando terapia para entender o lado “sabotador ” que carrega dentro de si que destrói sua vida e sexualidade.
Na fidelidade arcaica infantil, repetimos padrões. Não se trata de mandar homens plantar flores, nem empoderar mulheres. Trata-se de dar um lugar no coração a este passado como foi. E isso as dinâmicas e constelações sistêmicas são o método mais efetivo que já conheci em 20 anos de psicologia e 10 de constelações.
O tema é muito mais complexo do que parece. Envolve compreensão das leis, psicologia e abordagem sistêmica. É uma questão multidisciplinar. Há tratamento, compreensão e evolução a partir de uma tragédia tanto para homens como mulheres.
(Silvana Garcia)